When I was a little kid, my mother told me not to stare into the sun, so when I was six I did…

Pi (1998), dirigido por Darren Aronofsky.


pi

Maximillian Cohen: 11:15, restate my assumptions: 1. Mathematics is the language of nature. 2. Everything around us can be represented and understood through numbers. 3. If you graph these numbers, patterns emerge. Therefore: There are patterns everywhere in nature.

O filme da vez é Pi, dirigido por Darren Aronofsky. Ganhou alguns prêmios, entre eles, o Prêmio de Melhor Argumento Iniciante, no Independent Spirit Awards, e de Melhor Drama no Sundance Film Festival – impressionante por ser o primeiro filme da carreira desse jovem diretor. Após Pi, viriam obras como 2000 – Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream), 2006 – Fonte da Vida (The Fountain), 2008 – O Lutador (The Wrestler), 2011 – Cisne Negro (Black Swan), sendo esse ultimo, com certeza, o mais conhecido entre o público geral.

Pi é uma ficção científica de suspense um tanto diferente dos padrões hollywoodianos. Max (Sean Gullet) é um excêntrico gênio da matemática e da computação, que evita o contato social, e que passa a maior parte do tempo dentro da própria cabeça. Residindo em Nova Iorque, Max sente fortes enxaquecas, quase diariamente, e são elas que contribuem, e muito, para o incomodo de quem assiste ao filme. Alucinações, desespero, paranoia, obsessão, são feelings presentes a todo o momento, e que quando combinados com a cinematografia impecável – em parte claustrofóbica – criam um suspense impactante e de ótima qualidade. O filme tem um ritmo frenético e uma trilha sonora tão alvoroçada quanto – a sonoridade eletrônica, os cortes abruptos, a ausência de silêncio; todos esses elementos criam uma tensão condizente com o script já por si só delirante.

Max acredita que a matemática é a linguagem do universo, e que portanto, a natureza poderia ser expressa em números. O gênio tem como teoria a possível existência de padrões na natureza, que uma vez decifrados, poderiam prever situações caóticas – esse padrão, inclusive, preveria a bolsa de valores, e revelaria a verdade por trás do Torá. Em um dos ápices de tensão no filme um grupo de Wall Street e um grupo de judeus vão atrás de Max em busca desse padrão revelador.

Vale a pena destacar o personagem Sol Robeson (Mark Margolis), conselheiro de Max, que o ajuda a se manter são durante a busca pela verdade absoluta. Sol aconselha Max a desistir dessa procura pelo padrão Pi, uma vez que ele próprio já fizera essa busca e falhara. Seu personagem representa a sabedoria e também o pensamento racional em contraste com o personagem de Sean Gullet, a beira da loucura, em busca de uma teoria que não consegue de fato provar racionalmente.

Uma das formas ver esse filme seria a decadência de um mad men cada vez mais irreversivelmente envolvido por sua intuição, e a outra seria acreditar que ele de fato é um gênio, o que instigaria outras perguntas; afinal, existe mesmo um padrão matemático presente no universo que explicaria tudo? Até que ponto saber da existência desse padrão seria bom/ ou mal para nós?, além de trazer a velha questão dos limites entre genialidade e loucura, já clichê ao meu ver.

Em preto e branco, Pi é um suspense psicológico que deixa mais perguntas do que respostas, como um bom filme deveria fazer, e por isso mesmo não posso não recomendá-lo. Entretanto, não traz nada que outros filmes já não tenham abordado, sua irreverência está contida na forma como foi realizado, com técnicas inovadoras, trilha sonora e cenários em constante harmonia com o enredo vibrante e ótimas atuações. Então fica a dica.

Até a próxima!


Raquel Ribeiro

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