Lenny: “Who is the boss? You have to ask that? I’m the boss. Mommy is only the decision maker.”

Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite) (1995)


Directed by Woody Allen

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Greek Chorus Leader: Don’t go any further. I know what you’re thinking, Lenny, and forget it!

Lenny Weinrib: I can’t forget it; the thought’s been put in my head.

Chorus: Oh, cursed fate; certain thoughts are better left unthunk.

Indicado ao Oscar em duas categorias, Poderosa Afrodite garantiu à Mira Sorvino a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante pelo seu papel como Linda. O filme não levou o prêmio de Melhor Roteiro Original por infortúnio, afinal, com certeza merecia, o script é muito bem pensado e de uma originalidade que poucos roteiristas são capazes de escrever. Mas, mágoas para com a Academia à parte, é possível afirmar também que esse longa traz uma leveza ao cinema woodyaliano em meio a filmes pesados como Setembro e Crimes E Pecados. Seria o fim do relacionamento conturbado com Mia Farrow responsável pela volta do Woody descontraído e mais bem humorado?

Greek Chorus: Of all human weaknesses, obsession is the most dangerous, and the silliest!

Poderosa Afrodite acompanha a busca de um pai (Woody) pela mãe biológica de seu filho adotivo de 8 anos. Lenny é casado com Amanda (Helena Bonham Carter) e a pedido dela aceita adotar o recém-nascido. O casamento que costumava ser harmonioso desanda, e entre as divagações de Lenny sobre o que pode ter acontecido com o amor dos dois e a sua curiosidade em encontrar os pais biológicos do pequeno Max, nasce a busca por um passado já preanunciado escabroso. Inclusive, Poderosa Afrodite brinca deliciosamente com a literatura, trazendo para as telas o coro, que nas tragédias gregas tinham a função de cantar prenúncios da narrativa ou comentá-la – sendo assim, como pode ser percebido tem papel fundamental para o filme, uma vez que durante toda a narrativa, o coro aparece exercendo a mesma função, só que de forma irônica.

mightyaphrodite2

Inclusive, no filme, tudo é muito irônico; o casamento fajuto, o filho prodígio da estrela pornô que também pode ser filho de algum dos mais de 100 homens que Linda já teve relações, Lenny que não consegue fazer suas opiniões relevantes perante a personalidade forte da mulher… e que trabalha em uma academia de boxe, enfim, Poderosa Afrodite ironiza as relações entre pessoas e os seres em si por trás dessas relações, o que não pode acarretar em nada mais do que no próprio trágico, que define por excelência a condição humana.

Portanto, apesar de Poderosa Afrodite trazer características de tragédias gregas, que contavam histórias de grandes personagens, o filme de Woody é uma comédia; e lança mão desses destes artifícios de forma leve, sem perder completamente a seriedade. Afinal, apesar de o filme nos fazer rir, ele trata sim de um drama – a convivência entre seres e as peripécias da vida.

Spoiler Alert: o final é feliz, e não, Lenny não acaba com Linda. Poderosa Afrodite mostra como a conveniência pode ser mais forte do que as intenções genuínas, e que por incrível que possa parecer, até certo ponto, ela pode sim trazer uma pitada de felicidade.


Raquel Ribeiro

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