O amor que não ousa dizer seu nome – Wilde

“o mundo está sob meu comando e não consigo me comandar”. Essa frase e a do título são algumas das proferidas pelo genial e polêmico Oscar Wilde, no filme Wilde, de 1997. Uma das coisas que me desagrada em ver filmes que se passam em séculos passados é constatar que a humanidade não muda muito com o passar do tempo. Wilde é certeiro ao nos fazer chegar a essa conclusão, com a quantidade de simbolismo que carrega. O jovem Oscar era, na época, alguém que encarnava dois estigmas da sociedade inglesa (uma pequena amostra de como funcionava o mundo, já que Londres era uma das maiores cidades, e o Império Inglês, o modelo de sociedade): possuía uma sexualidade ambígua, e era natural da Irlanda, que já há algum tempo lutava pela sua independência.

Wilde escrevia peças, contos, e publicou um romance até hoje considerado obra prima da língua inglesa, O retrato de Dorian Gray. Apesar de possuir uma adorável esposa, a julgar pelo filme, e dois filhos pequenos, sua inspiração vinha das aventuras amorosas com rapazes londrinos, capazes de chocar e escandalizar uma cidade que tentava, a todo custo, manter valores que aos poucos se esvaíam, com a chegada da modernidade via industrialização. Em uma dessas aventuras, Oscar se envolve com Bosie, filho de um marquês violento, dando início a decadência de sua reputação. Wilde foi processado, julgado e condenado por atos imorais, tendo passado dois anos em uma prisão sendo obrigado a realizar trabalhos forçados. Seu declínio como escritor esteve acompanhado da decomposição de sua saúde.

Oscar morreu em Paris, para onde foi após sair da cadeia. Sem conhecer muito de sua obra, me deparei por acaso com seu túmulo, quando visitei a cidade. Ele está sepultado no cemitério Père Lachaise, sob um bonito monumento de inspiração egípcia, que desperta a paixão de seus fãs. Tanta paixão que o mausoléu precisou ser recoberto por uma redoma de vidro, para evitar que as marcas de batom deixadas ali danificassem a obra. Sem problemas, pelo que vi: as marcas agora estão no vidro. Sem dúvida, essa é a maior demonstração de que ter vivido a vida que queria, mesmo tendo sido condenado por isso, valeu a pena. Afinal, como Wilde diria: “a vida só vale a pena quando a utilizamos para satisfazer nossa natureza”.

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