‘Cause I’m Anal

Annie Hall


Directed by Woody Allen

“He stopped doing his homework!”
“What’s the point? The universe is everything, and if it’s expanding, someday it will break apart and that would be the end of everything.”
“What is that your business?”

Annie Hall talvez seja o mais conhecido filme de Woody. Ou melhor, chegou a ser por algumas décadas, até o século XXI, quando seus filmes se tornaram mais conhecidos e admirados pelo público geral. Traduzido no Brasil como “Noivo neurótico, noiva nervosa” – que convenhamos, esse título definitivamente entra para a lista de traduções que dá nos nervos de qualquer um que saiba pelo menos conjugar o Verb to Be, juntamente com “Because I Said So” (“Minha Mãe Quer que eu Case”), “The Sound Of Music” (“A Noviça Rebelde”),“Airplane” (“Apertem os Cintos…..O Piloto Sumiu”)…entre outros – ganhou muitos prêmios, sendo até hoje um dos filmes do Woody mais reconhecidos pela crítica internacional, entre eles os prêmios de melhor diretor tanto no Oscar como no BAFTA.

O filme apresenta características típicas woodyalianas: simples, engraçado e tendo como protagonista um personagem que sempre se assemelha ao seu criador. É muito difícil, de fato, separar a figura de Woody Allen, o diretor, de Woody Allen, o ator. Em Annie Hall, por exemplo, o figurino de Alvy Singer, suas piadas e forma de ver o mundo, os problemas perante a vida e as mulheres, e até mesmo a infância do personagem, lembram bastante nosso querido diretor. E ele chega a ser alvo de críticas por conta disso, mas não nos desgastemos com futilidades. O artista é indubitavelmente inseparável de sua obra, porém não pode nunca ser confundido com ela – for his work sake!

Annie Hall é um filme que aborda a vida de um comediante judeu, com um forte senso autocrítico e obcecado com a morte, que tem má sorte no amor e vê a vida por um ângulo pessimista. Neurótico, Alvy Singer é extremamente inseguro e incapaz de manter um relacionamento com uma mulher. O filme, portanto, aborda a necessidade do contato humano, e coloca o amor – the special someone in your life – como algo não somente necessário, mas indispensável para a sobrevivência. Entretanto, não é esse o tema que mais me chamou atenção no longa.

Woody também aborda a produção artística como algo que representaria a realidade de forma mais precisa do que a realidade em si. Os flashbacks do filme e a inserção de cenas onde o passado agrega-se ao presente é o que causa o teor autorreflexivo do qual comentei. O Alvy Singer aparece já adulto na sala de aula juntamente com a sua versão criança, analisando uma típica situação onde o jovem é repreendido por ações que são próprias do comportamento infantil – o Alvy do presente defendo o Alvy do passado da ignorância do educador, incapaz de entender a fragilidade humana. Nessa cena, quando o mesmo personagem (a professora) aponta para um dos alunos, sugestivamente indicando que ele seria o modelo ideal de comportamento, o narrador da história nos mostra o destino de alguns de seus colegas, em tom irônico, típico de Woody, para mostrar como a vida é demasiadamente instável e imprevisível para que possa ser determinado o destino das pessoas simplesmente baseando-se em um comportamento manifestado em um ambiente de aprendizado.

A quebra da quarta parede garante uma proximidade da narração com o público, causando catarse em situações que são típicas do comportamento humano, e consequentemente, mas suscetíveis à autorreflexão da audiência. Na minha opinião, essa é uma das grandes sacadas de Woody: fazer a pessoa que assiste seus filmes se espelhar em seus personagens, logo, nos fazendo sentir instigados a refletir sobre as mesma angústias que afligem Alvy.

Considerando que Woody acredita que “You’re always trying to get things to come out perfect in art because it’s real difficult in life.”, e tomando por base as técnicas por ele usadas em Annie Hall, como ferramentas que na arte mostram-nos um “algo mais subjetivo” que não somos capazes de enxergar no plano do real, finalizo meu argumento de que “Noivo neurótico, noiva nervosa” não é um filme sobre o amor, e sim sobre a condição humana – claro, considerando que dentro dessa condição humana se faça presente, pelo menos do ponto de vista de Woody, a necessidade de amar – e sobre como essa condição humana é melhor representada no plano artístico ao invés do real.

Talvez essa não tenha sido as melhoras das reflexões, é há muito mais a ser falado sobre Annie e Woody, mas quem sabe em outra oportunidade.

Enfim, recomendo Annie Hall à qualquer pessoa que queira fugir do típico be a bá que encontramos nas comédias românticas de hoje em dia – superficiais e melosas. É um bom filme de iniciação ao cinema de Woddy Allen, para quem não o conhece muito. Além, é claro, de um entretenimento de ótima qualidade.

Fica a dica.

Escrito por: Raquel Ribeiro 

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