Dallas Buyers Club x Alabama Monroe

Nesse primeiro texto, falarei sobre dois filmes que vi recentemente, e buscarei relacioná-los. Tive essa ideia ao refletir, após vê-los, como eram próximos em um aspecto: a vida, primeiramente vivida de forma desenfreada, numa busca alucinada pelo prazer, de repente se torna uma sequência de culpas, pelos excessos experimentados e as consequências causadas por eles. Coincidentemente, durante a escrita desse texto, percebi que ambos foram indicados ao Oscar 2014. Mais uma semelhança!

O primeiro dos dois, na ordem em que vi, é Dallas Buyers Club. Ele conta a história de um cowboy texano, muito ordinário, em sentido comum, no estilo de vida. Trabalhava como eletricista, uma profissão que aprendeu com o pai, e gastava todo o seu tempo livre em festas onde o álcool e o sexo corriam soltos. Em determinado momento, se descobre com AIDS, retratada no filme como uma experiência tão assustadora quando o surto atual de Ebola: a humanidade não sabia praticamente nada sobre a doença, e segregava seus portadores de uma forma totalmente discricionária, baseada em preconceitos sociais. Quero deixar claro que isso não é um spoiler: faz parte do enredo. O interessante do filme é notar como o martírio inicial do personagem se transforma em uma luta racional pela sobrevida. E isso é o máximo que posso falar sem contar o filme e estragar a surpresa…

O segundo visto foi Alabama Monroe. Com o foco no relacionamento entre um casal incomum, onde o homem, em mais uma coincidência, também é cowboy como o personagem de DBC, e a mulher uma tatuadora, vemos uma vida compartilhada de sexo desprotegido e noites de bebedeira. Nesse caso, o sexo não dá origem a AIDS, mas a uma gravidez indesejada. Nessa situação, e nas posteriores, são expostas as culpas pessoais dos parceiros.

O que esses filmes me deixaram de mensagem foi o quanto é difícil ao ser humano emancipar-se de si próprio, e arcar com suas escolhas e com o que o futuro lhe reserva, sem apelar para a auto piedade. Muito provavelmente não foi essa a “lição” que os diretores tencionaram passar. Pelo contrário. DBC é um exemplo da superação dos próprios preconceitos, e Alabama Monroe deixa um testemunho de amor intenso. Ainda assim, foi muito marcante o quanto a culpa de cada personagem o perseguia. Deixo o texto aberto a comentários, e visões diferentes..

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